De acordo com uma antiquíssima experiência
médica e com o atual conhecimento científico, a maior parte das doenças são
conseqüência exclusiva de uma alimentação errada, ou de hábitos alimentícios
antinaturais, mantidos e alentados durante tanto tempo que chegaram a provocar
doenças e dores crônicas de toda a espécie, reduzindo e até mesmo destruindo a
nossa potência vital ou a nossa alegria de viver.
Esta convicção vai-se impondo a círculos cada
dia mais numerosos da nossa população, muito embora ainda não constitua um
conhecimento geral, nem seja ainda tão vital que dele se possam extrair
deduções práticas para este modo quotidiano de viver. Na maioria dos casos, a
comoção fisiológica e psicológica, como conseqüência de alguma enfermidade
grave, impõe a decisão de melhorar o nosso modo de pensar, o que nos leva a
procurar melhorar, seguindo o melhor caminho, e a compreender que o estado de
saúde de cada um depende do seu modo de viver.
A este propósito temos de esclarecer que a
saúde e a enfermidade não são meros problemas materiais, pois não se trata
simplesmente de doença ou de saúde, mas sim de, como seres racionais completos,
estarmos sãos ou enfermos. A enfermidade é um problema físico e moral, que
abrange a pessoa toda. O melhoramento físico deve ser acompanhado de uma
recuperação da ordem na nossa consciência, tanto mais quanto o conteúdo do
nosso mundo espiritual é de uma importância às vezes decisiva para a estrutura
orgânica e suas funções e, por conseqüência, para a enfermidade e para a saúde,
para a vida e para a morte.
A discórdia, a luta, o temor, as
preocupações, a vulgaridade, a angústia, a vileza, a perversidade, a paixão,
são para o corpo e a alma como um alimento antinatural ou tóxico. Se, pelo
contrário, a nossa mente se ocupar de temas valiosos, bem harmonizados,
sentiremos certa potência depuradora e sanadora no nosso estado físico. A saúde
não só compreende o fisiológico, como também o mais íntimo do nosso ser, isto
é, o coração e a sensibilidade de cada um.
A alimentação chegou a converter-se, hoje,
por muitas causas, num problema complexo. A progressiva industrialização, o
crescimento das cidades, os transportes para maiores distâncias e os
necessários armazenamentos, são fatores que conduzem, inevitavelmente, a perdas
no seu valor e propriedades. O grande caminho que têm de percorrer desde o
produtor até o consumidor, criou, igualmente, a necessidade de se recorrer a
processos e tratamentos de conservação que, com freqüência, resultam também
bastante prejudiciais para o valor biológico dos alimentos.
Os hábitos de alimentação da moderna
sociedade industrializada, com a sua preferência para os chamados alimentos "puros" (como o açúcar branco, a flor de farinha e o sal comum), a grande
quantidade de carnes brancas, as gorduras e os azeites elaborados
industrialmente, são também culpados, em grande parte, pelo aparecimento de
enfermidades da civilização, por defeitos constitucionais e por outros
numerosos transtornos da saúde.
A investigação médica trabalha hoje com
afinco para conhecer o efeito dos alimentos no organismo e isolar os seus
fatores ativos, sobretudo as vitaminas, os hormônios, os fermentos e os sais
inorgânicos.
Juntamente com os processos de tratamento
físico e medicamentoso, o tratamento alimentar, como base de todas as nossas
medidas preventivas e curativas, tem hoje uma importância que cresce
continuamente, conforme a realidade que hoje se verifica do velho conceito:
“Os nossos alimentos devem ser os nossos
medicamentos.”
ERNST SCHNEIDER
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